Competência 5 – A nova proposta de intervenção

Muitos alunos atualmente acreditam que todo texto dissertativo-argumentativo deve apresentar proposta de intervenção. A verdade é que NÃO! A apresentação de uma medida interventiva relacionada ao problema social discutido no texto é uma exigência típica da redação no ENEM. Além de cobrar competências relacionadas à argumentação, estruturação, encadeamento de ideias e domínio do registro culto, o exame exige uma passagem injuntiva, ou seja, um trecho que represente sugestão a ser tomada junto à análise dos problemas. Nesse sentido, surge a competência 5. Mas do que ela trata mesmo?

COMPETÊNCIA 5

Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

O QUE ISSO SIGNIFICA ISSO?

Elaborar proposta de intervenção

Você deve apresentar uma medida, porém “medida” não quer dizer necessariamente “solução”. Dependendo do problema, sua proposta pode “atenuar”, “mediar” ou “solucionar”, o problema social tratado.

para o problema abordado

Sua proposta não pode ser simplesmente decorada e “adaptada” à redação. Ela precisa relacionar-se ao que você discute no corpo do texto.

respeitando os direitos humanos.

O respeito aos direitos humanos representa um cuidado importante. Qualquer medida que esteja em desacordo com o que prescreve a declaração internacional dos direitos humanos, pode zerar a proposta, ou seja, desconta 200 pontos da pontuação total.

A proposta, portanto, representa uma das mais importante partes do texto dissertativo produzido para o ENEM. É importante, porém, que não esteja relacionado apenas ao assunto (forma ampla), mas ao tema discutido no texto.

COMO A GRADE PREVÊ A PONTUAÇÃO

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0

Não apresenta proposta de intervenção ou apresenta proposta não relacionada ao tema ou ao assunto.

40

Apresenta proposta de intervenção vaga, precária ou relacionada apenas ao assunto. 2 Elabora, de forma insuficiente, proposta de intervenção relacionada ao tema, ou não articulada com a discussão desenvolvida no texto.

80

Elabora, de forma mediana, proposta de intervenção relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto.

120

Elabora bem proposta de intervenção relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto.

160

Elabora muito bem proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto.

Será considerada uma boa proposta de intervenção aquela que, além de estar de acordo com a argumentação apresentada, for capar de apresentar os elementos que constituem sua estrutura: agente, ação, meio/modo, detalhamento, finalidade.

Como assim?

agente

O grupo ou instituição que vai protagonizar a medida proposta. Podem ser Governo, Ongs, Mídia, Instituições, Família, Escola, Sociedade (GOMIFES), entre outros.

ação

Atividade a ser praticada pelo agente (criar campanhas, aumentar diminuir impostos, debater, educar, orientar, proibir, reunir-se, etc. AVISO: NUNCA USE “CONSCIENTIZAR”, “AMAR MAIS”, “TOMAR UMA POSTURA”, “RESPEITAR”, “VIVER MELHOR” ETC.

meio/modo

Recurso utilizado para praticar a ação. “Por meio de campanhas”, “através do fomento de debates sobre”, “por meio de leis de incentivo a”, “através de”, “por intermédio de” etc.

detalhamento

Especificação da ação ou do meio ou modo, que apresenta instrumentos, detalhes de atividades, participantes, dinâmicas etc. “Com exposições verbais e não verbais”, “com a ajuda de funcionários, pais e membros da comunidade”, “Com debates sobre filme” etc. Após a apresentação de meio ou modo, o uso da preposição com ajuda a assinalar a presença do detalhamento.

finalidade

O candidato não deve se esquecer de apontar textualmente o objetivo da ação. Ainda que pareça óbvio ou natural, é necessário escrever aonde se quer chegar. Expressões como “a fim de que”, “para que”, “no intuito de”, “com o propósito de”, “Espera-se que” etc. ajudam a deixar claro à banca que esse elemento está presente.



VEJAMOS ALGUNS EXEMPLOS DE PROPOSTA NOTA MÁXIMA.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas o qual promova palestras, apresentações artísticas e atividades lúdicas a respeito do cotidiano e dos direitos dos surdos. – uma vez que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador – a fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral – por conseguinte – conscientizem-se. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.

Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que a Escola promova a formação de cidadãos que respeitem às diferenças e valorizem a inclusão, por intermédio de palestras, debates e trabalhos em grupo, que envolvam a família, a respeito desse tema, visando a ampliar o contato entre a comunidade escolar e as várias formas de deficiência. Além disso, é imprescindível que o Poder Público destine maiores investimentos à capacitação de profissionais da educação especializados no ensino inclusivo e às melhorias estruturais nas escolas, com o objetivo de oferecer aos surdos uma formação mais eficaz. Ademais, cabe também ao Estado incentivar a contratação de deficientes por empresas privadas, por meio de subsídios e Parcerias Público-Privadas, objetivando a ampliar a participação desse grupo social no mercado de trabalho. Dessa forma, será possível reverter um passado de preconceito e exclusão, narrado por Machado de Assis e ofertar condições de educação mais justas a esses cidadãos.

Nesse sentido, urge que o Estado, por meio de envio de recursos ao Ministério da Educação, promova a construção de escolas especializadas em deficientes auditivos e a capacitação de profissionais para atuarem não apenas nessas escolas, mas em instituições de ensino comuns também, objetivando a ampliação do acesso à educação aos surdos, assegurando a estes, por fim, o acesso a um direito garantido constitucionalmente. Outrossim, ONGs devem promover, através da mídia, campanhas que conscientizem a população acerca da importância do deficiente auditivo para a sociedade, enfatizando em mostrar a capacidade cognitiva e intelectual do surdo, o qual seria capaz de participar da população economicamente ativa (PEA), como fosse concedido a este o direito à educação e à equidade de tratamento, por meio da difusão do uso de libras. Dessa forma, o Brasil poderia superar os desafios à consolidação da formação educacional de surdos.

É evidente, portanto, que há entraves para que os deficientes auditivos tenham pleno acesso à educação no Brasil. Dessa maneira, é preciso que o Estado brasileiro promova melhorias no sistema público de ensino do país, por meio de sua adaptação às necessidades dos surdos, como oferta do ensino de libras, com profissionais especializados para que esse grupo tenha seus direitos respeitados. É imprescindível, também, que as escolas garantam a inclusão desses indivíduos, por intermédio de projetos e atividades lúdicas, com a participação de familiares, a fim de que os surdos tenham sua dignidade humana preservada.


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Logo, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com instituições de apoio ao surdo, proporcione a este maiores chances de se inserir no mercado, mediante a implementação do suporte adequado para a formação escolar e acadêmica desse indivíduo – com profissionais especializados em atende-lo -, a fim de gerar maior igualdade na qualificação e na disputa por emprego. É imprescindível, ainda, que as famílias desses deficientes exijam do poder público a concretude dos princípios constitucionais de proteção a esse grupo, por meio do aprofundamento no conhecimento das leis que protegem essa camada, para que, a partir da obtenção do saber, esse empenho seja fortalecido e, assim, essa parcela receba o acompanhamento necessário para atingir a formação educacional e a contribuição à sociedade.

Logo, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental, portanto, a criação de oficinas educativas, pelas prefeituras, visando à elucidação das massas sobre a marginalização da educação dos surdos, por meio de palestras de sociólogos que orientem a inserção social e escolar desses sujeitos. Ademais, é vital a capacitação dos professores e dos pedagogos, pelo Ministério da Educação, com o fito de instruir sobre as necessidades de tal grupo, como o ensaio em Libras, utilizando cursos e métodos para acolher esses deficientes e incentivar a sua continuidade nas escolas, a fim de elevar a visualização dos surdos como membros do corpo social. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora das condições educacionais e sociais desse grupo.

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