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COMO USAR CONCEITOS DE HISTÓRIA NA MINHA REDAÇÃO ?

COMO USAR CONCEITOS DE HISTÓRIA NA MINHA REDAÇÃO ?

Aprenda como usar conceitos de história na sua redação.

CONVERSA INICIAL

Neste módulo, apresentamos quatro temas socias, atuais e relevantes ao perfil de cobrança do ENEM. Para melhorar sua compreensão acerca do que se discute, contextualizamos esses temas a partir de publicações relevantes e comentamos algumas das possíveis abordagens que você pode realizar na construção do seu texto. Os temas são: Concentração de renda e desigualdade social no Brasil; Pessoas em situação de rua no Brasil; O combate à violência contra o idoso na sociedade brasileira; Os desafios para o combate ao analfabetismo no Brasil.

TEMA: CONCENTRAÇÃO DE RENDA E DESIGUALDADE SOCIAL NO BRASIL

Contextualização do tema

Quase 30% da renda do Brasil está nas mãos de apenas 1% dos habitantes do país, a maior concentração do tipo no mundo. É o que indica a Pesquisa Desigualdade Mundial 2018, coordenada, entre outros, pelo economista francês Thomas Piketty. O grupo, composto por centenas de estudiosos, disponibiliza nesta quintafeira um banco de dados que permite comparar a evolução da desigualdade de renda no mundo nos últimos anos.

Os dados sobre o Brasil se restringem ao período de 2001 a 2015, e são semelhantes em metodologia e achados aos estudos pioneiros publicados pelos pesquisadores brasileiros Marcelo Medeiros, Pedro Ferreira de Souza e Fábio Castro a partir de 2014. No caso de Souza, pesquisador do IPEA, o trabalho construiu série histórica sobre a disparidade de renda no Brasil desde 1926. A World Wealth & Income Database (base de dados mundial de riqueza e renda) aponta que o 1% mais rico do Brasil detinha 27,8% da renda do país em 2015, enquanto no estudo do brasileiro, por diferenças de metodologia, a cifra é 23%.

Segundo os dados coletados pelo grupo de Piketty, os milionários brasileiros ficaram à frente dos milionários do Oriente Médio, que aparecem com 26,3% da renda da região. Na comparação entre países, o segundo colocado em concentração de renda no 1% mais rico é a Turquia, com 21,5% em 2015 — no dado de 2016, que poucos países têm, a concentração turca subiu para 23,4%, de acordo com o levantamento.

O Brasil também se destaca no recorte dos 10% mais ricos, mas não de forma tão intensa quanto se observa na comparação do 1% mais rico. Os dados mostram o Oriente Médio com 61% da renda nas mãos de seus 10% mais ricos, seguido por Brasil e Índia, ambos com 55%, e a África Subsaariana, com 54%.

A região em que os 10% mais ricos detêm menor fatia da riqueza é a Europa, com 37%. O continente europeu é tido pelos pesquisadores como exemplo a ser seguido no combate à desigualdade, já que a evolução das disparidades na região foi a menor entre as medidas desde 1980. Eles propõem, de maneira geral, a implementação de regimes de tributação progressivos e o aumento dos impostos sobre herança, além de mais rigidez no controle de evasão fiscal.

Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/13/internacional/1513193348_895757.html

Possíveis reflexões que podem contribuir para sua abordagem

Uma das possibilidades para abordar o tema é partir da constatação de que a concentração de renda e a desigualdade social no Brasil representam o legado de um problema histórico e cultural.

O Brasil, historicamente, valorizou a política de consagração do latifúndio. Assim, é válido lembrar que a ausência de reforma agrária formou uma elite patrimonialista que também dominava a estrutura do poder político. A partir disso, a concentração de poder por esse grupo permitiu que se empregassem políticas governamentais para favorecer a si mesmo, negligenciando os grupos periféricos.

Outro fator relevante são as políticas históricas de desenvolvimento amparadas numa forte cultura de consumo que, por sua vez, era voltada para própria classe média que se constituía ao longo do tempo. Nesse contexto, a produção regional concentrada favorece o processo migratório durante a industrialização, um dos fatores que culminam na industrialização.

TEMA: PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA NO BRASIL
Contextualização do tema

Brasil tem mais de 101 mil pessoas em situação de rua, segundo estudo divulgado em 2016 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA que considerou dados do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, além de fatores populacionais e de vulnerabilidade social.

O IPEA estimou o número da população em situação de rua conforme o tamanho das cidades, em todas as regiões do país e recomendou aos governos locais a realização de estimativas e análises socioassistenciais próprias. Reafirmou também a necessidade desta população ser considerada nos censos oficiais feitos do país.

Esta é uma antiga reivindicação dos movimentos pelos direitos humanos da população em situação de rua, pois é fundamental no combate da invisibilidade desta população e na elaboração de políticas públicas de atendimento.

Porém, existem outros fatores que aumentam a complexidade desta questão social. O trabalho esporádico e precário, ausência de políticas habitacionais, miséria, abandono e rompimento de laços familiares, violações de direitos humanos, violências policiais, dependência de drogas legais e ilegais, comprometimentos da saúde física e mental, ausência de perspectivas para egressos do sistema prisional, entre tantos outros.

Devido a esta diversidade de fatores, seu enfrentamento requer, além de diagnósticos precisos, a adoção de políticas públicas estruturais e humanizadas de assistência social que garantam redução de danos, alimentação, atendimento emergencial em saúde, guarda de pertences, banheiros e espaços de higiene, construção de vínculos, moradias transitórias, acolhimento de seus animais, emissão de documentação, formação e trabalho. Tudo isso necessita investimentos, mas, sobretudo, inversão de prioridades políticas pelos governos.

Disponível em: https://cartacampinas.com.br/2019/04/populacao-em-situacao-de-rua-precisa-entrar-no-orcamento-das-cidades/

Possíveis reflexões que podem contribuir para sua abordagem

De forma análoga às considerações relacionadas à desigualdade social, a falta de projetos urbanos voltados para as populações periféricas representa um entrave histórico que favorece, junto às crises econômicas, o aumento do número de pessoas em situação de rua. Moradias precárias e falta de acesso à educação de qualidade aumentam a vulnerabilidade de muitos cidadãos que, influenciados também pelo processo de Gentrificação, não encontram moradias próximas às oportunidades de emprego.

A própria noção de Gentrificação representa uma possibilidade de conceito relevante para sua argumentação. O processo pode ser definido como a transformação de centros urbanos a partir da mudança dos grupos sociais ali existentes. Substitui-se a comunidade de baixa renda por moradores das camadas mais ricas.

Vale lembrar que o Brasil foi o último país do ocidente a acabar com a escravidão em 1888. A partir disso, a ausência de medidas para pensar a condição do negro no contexto pós-abolição da escravidão figura como um dos principais fatores relacionados ao abandono desse grupo social que, atualmente, representa a maioria da população de pessoas em situação de rua. Na época, a República Oligárquica se amparava no discurso de Racismo Científico e eugenia, utilizando-se da própria medicina como legitimadora da ausência de políticas afirmativas a favor dos menos favorecidos.

Nesse sentido, cabe também ressaltar o chamado Darwinismo Social, que difundia a ideia de que negros, mestiços e índios, por se tratarem de uma “raça inferior”, tornar-se-iam cada vez mais periféricos até que desaparecessem.

TEMA: O COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA O IDOSO NA SOCIEDADE BRASILEIRA
Contextualização do tema

Levantamento feito pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos revelou que, no ano passado, o Disque 100 registrou um aumento de 13% no número de denúncias sobre violência contra idosos, em relação ao ano anterior. De acordo com a assessoria de imprensa da pasta, o serviço de atendimento recebeu 37.454 notificações, sendo que a maioria das agressões foi cometida nas residências das vítimas (85,6%), por filhos (52,9%) e netos (7,8%).

Divulgado nesta terça-feira (11), o levantamento mostra que a suscetibilidade das mulheres idosas é maior. Elas foram vítimas em 62,6% dos casos e os homens, em 32,2%. Em 5,1% dos registros, o gênero da vítima não foi informado.

Quanto à faixa etária, os dois perfis que predominam são de pessoas com idade entre 76 e 80 anos (18,3%) e entre 66 e 70 anos (16,2%). O relatório também destaca que quase metade das vítimas (41,5%) se declarou branca, 26,6% eram pardas, 9,9% pretas e 0,7% amarelas. As vítimas de origem indígena representam 0,4% do total.

As violações mais comuns foram a negligência (38%); a violência psicológica (26,5%), configurada quando há gestos de humilhação, hostilização ou xingamentos; e a violência patrimonial, que ocorre quando o idoso tem seu salário retido ou seus bens destruídos (19,9%). A violência física figura em quarto lugar, estando presente em 12,6% dos relatos levados ao Disque 100. O ministério informa que, em alguns casos, mais de um tipo de violência foi cometido e, portanto, comunicado à central.

A pasta detalhou a forma como as ocorrências se distribuem geograficamente. O estado de São Paulo aparece em primeiro lugar na lista, concentrando 9.010 dos casos reportados. O estado de Minas Gerais ocupa a segunda posição, com 5.379 registros, seguido por Rio de Janeiro, com 5.035 e Rio Grande do Sul, que responde por 1.919 ocorrências.

Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2019-06/numero-de%20denuncias-de-violencia-contra-idosos-aumentou-13-em-2018

Possíveis reflexões que podem contribuir para sua abordagem

Em sua redação, uma das possibilidades de abordagem envolve demonstrar como o projeto de proteção aos mais velhos, inclusive do ponto de vista econômico, é muito demorado.

Como a expectativa de vida do idoso era bem menor no passado, do ponto de vista histórico, as reflexões acerca de políticas relacionadas à sua existência e qualidade de vida são recentes na maioria das nações do mundo, sobretudo no Brasil.

Nesse sentido, o processo de aposentadorias surge no final da primeira república, começa a crescer durante o Governo Vargas e estrutura-se ao longo do tempo, até se concluir no Governo Militar. Com a redemocratização e ampliação da política previdenciária, um outro fator contribui para o redesenho das aposentadorias: a população idosa começa a crescer mais rapidamente.

Desse modo, muitas famílias, num primeiro momento, veem o crescimento dessa parcela da população como um problema financeiro; e o Estado, como um problema econômico. De forma análoga à antiga educação dada às crianças, o cerceamento de direitos e a violência surgem para muitos indivíduos que querem justificar suas ações como sendo medidas educativas. A ideia de que a terceira idade seria a segunda infância legitima no discurso de muitos a ideia de “disciplina do corpo” como ventilado por Foucault.

Felizmente, em nossos dias, multiplicam-se as medidas de proteção à integridade física e moral do idoso.

TEMA: OS DESAFIOS PARA O COMBATE AO ANALFABETISMO NO BRASIL
Contextualização do tema

O Brasil ainda tem 11,3 milhões de analfabetos entre a população de 15 anos ou mais — o número corresponde a 6,8% dessa população. O dado diz respeito ao cenário identificado em 2018 e apresentou queda de 0,1 ponto percentual em relação a 2017 — o que significa 121 mil analfabetos a menos — quando o país tinha 6,9% das pessoas nessa situação. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fazem parte do suplemento de educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

Embora o país venha registrando redução na taxa de analfabetismo, os pesquisadores apontam que essa queda acontece em um ritmo lento. O Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece metas em relação à alfabetização.

Até 2015, conforme determinação da lei, o Brasil deveria ter elevado a taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos ou mais para 93,5%, o que não foi cumprido. Os dados da Pnad mostram que o índice atual é de 93,2% ainda abaixo do objetivo para 2015. O PNE determina também que o país erradique o analfabetismo até 2024.

— Para que essa meta seja alcançada dependemos do que propuserem a fazer em termos de políticas públicas. Mas sabemos que o desafio é grande, porque as quedas (do índice de analfabetismo) são pequenas ao longo do tempo. Se projetarmos a queda nesse ritmo vai ser difícil — analisou Marina Aguas, pesquisadora do IBGE responsável pelo suplemento de educação da Pnad.

Negros em desvantagem

A pergunta que mede o analfabetismo é a primeira a ser feita no questionário da Pnad Contínua. Os técnicos do IBGE perguntam se a pessoa sabe ler e escrever, tendo como parâmetro a leitura de um “bilhete simples”, como “Maria, fui ao mercado”.

— O analfabetismo ainda é preocupante pela questão da exclusão social do que é ser uma pessoa analfabeta. Seria muito importante que a gente chegasse a erradicar o analfabetismo. Os outros indicadores também têm suas questões, mas só saber ler e escrever já é uma inclusão social tão grande que, para mim, esse é o indicador principal — disse Aguas.

As informações da Pnad Contínua mostram que há uma clara associação do analfabetismo com a faixa etária. De acordo com o IBGE, a maior quantidade de analfabetos está registrada na população 60 anos ou mais: 18,6%. A taxa é de 11,5% entre a população de 40 anos ou mais; e 7,2% entre os que têm 25 anos ou mais.

Disponível em: https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/brasil-ainda-tem-113-milhoes-de-analfabetos-23745356

Possíveis reflexões que podem contribuir para sua abordagem

Inicialmente, é possível destacar que o analfabetismo no Brasil é um problema relacionado à história da educação no país. Desde a constituição imperial, que já previa a extensão da educação a todos, havia seu reconhecimento, mas não sua consolidação na prática. Vale lembrar que negros, índios e mestiços não tinham acesso ao estudo. Até mesmo as mulheres foram cerceadas desse direito por muitos anos no Brasil.

Nesse sentido, o efetivo acesso da mulher ao ensino só se amplia com a criação das chamadas “Escolas Normais”, no final do século XIX. Nossa república lida historicamente mal com a educação. Depois de um longo período, seria na Era Vargas que surgiria uma política de obrigatoriedade do ensino primário.

Em janeiro de 1964, a partir de um histórico de sucesso, surge o Plano de Alfabetização Paulo Freire, que criticava o uso de cartilha com frases soltas sem contexto para o ensino da leitura e da escrita, o que, para ele, deveria emanar de exemplos relacionados à realidade dos alunos. Meses depois, com a instauração do governo militar, esse projeto foi substituído pelo Movimento Brasileiro de Alfabetização. O MOBRAL também era uma medida de ensino, porém, com diferentes técnicas.

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