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Geopolítica e a Nova Ordem Mundial

Geopolítica e a Nova Ordem Mundial

A geopolítica pode ser definida como um conjunto de estratégias, práticas e ações realizadas, na maior parte das vezes, pelos Estados Nacionais, a fim de promover a defesa de seus territórios

O FIM DA GUERRA FRIA E O INÍCIO DE UM MUNDO MULTIPOLAR (OU UNIPOLAR?)

Com o advento de uma Nova Ordem Mundial, a geopolítica internacional sofreu profundas transformações no início da década de 1990. Isso porque, com o fim da oposição “capitalismo x socialismo”, o mundo se defrontou com uma realidade marcada pela existência de um único sistema político-econômico, o capitalismo. Exceto por Cuba, China e Coreia do Norte, que ainda apresentam suas economias fundamentadas parcialmente no socialismo, o capitalismo é o sistema em vigor no mundo desde o início da década de 90.

A FORMAÇÃO DA COMUNIDADE DOS ESTADOS INDEPENDENTES

Em 1991, com o fim da Guerra Fria, foi criada entre os países que formavam a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) uma organização de cooperação econômica, na tentativa de minimizar os problemas econômicos gerados pela transição de uma economia planificada para uma economia de mercado.

Atualmente o grupo é formado por Rússia, Azerbaijão, Moldávia, Quirguistão, Ucrânia, Turcomenistão, Armênia, Bielorrússia, Tajiquistão, Uzbequistão.

À fragmentação do socialismo somaram-se as profundas transformações que já vinham afetando as principais economias capitalistas desde a segunda metade do século XX, resultando na chamada Nova Ordem Mundial. As origens dessa nova ordem estão no período imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial, no momento em que os Estados Unidos assumiram a supremacia do sistema capitalista. Essa supremacia dos EUA fundamentava-se no domínio de armas nucleares, no uso do dólar como padrão monetário internacional, na capacidade de financiar a reconstrução dos países destruídos com a guerra e na ampliação dos investimentos das empresas transnacionais nos países subdesenvolvidos.

Durante a Segunda Guerra, os EUA atravessaram um período de crescimento econômico acelerado. Assim, quando o conflito terminou, sua economia estava forte e dinamizada, e esse país assumia o papel de maior credor do mundo capitalista. Além disso, a Conferência de Bretton Woods, que em 1944 estabeleceu as regras da economia mundial, determinou que o dólar substituiria o ouro como padrão monetário internacional.

A CONFERÊNCIA DE BRETTON WOODS

Encontro realizado em 1944 nos Estados Unidos que tinha como objetivo estabelecer as bases sobre a qual funcionaria a economia mundial após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). É importante destacar que esse acordo foi realizado entre 45 países.

Nesse momento ficou estabelecido que o dólar seria o padrão, ou seja, o portador de dólares poderia trocar as suas notas em qualquer parte do mundo pelo seu equivalente em ouro, de acordo com o que foi estipulado.

Nesse momento foram criadas importantes instituições financeiras mundiais:

• Banco Mundial (na época chamado de Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento) – Instituição financeira internacional, com sede em Washington D.C, que realiza empréstimos para países em desenvolvimento. Entre seus objetivos propõe um crescimento sustentável e a redução da pobreza. É composto pelo Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), que fornece ajuda a países com ingresso médio (US$1.500 – US$5.000) e pela Associação Internacional de Desenvolvimento (AID) que oferece empréstimos a países mais pobres (renda per capita inferior a US$800).

• Fundo Monetário Internacional (FMI) – Agência especializada das Nações Unidas que busca estabelecer em escala global uma cooperação monetária e a garantia de estabilidade financeira, através da redução de pobreza em todo o mundo e de um crescimento econômico sustentável. Em seu funcionamento monitora o sistema monetário internacional e aconselha sobre políticas econômicas e financeiras dos países (composto por 189 membros), além de realizar empréstimos aos membros que podem apresentar problemas ou potencial para tal. Com isso contribuem com a construção de reservas internacionais e com a estabilização das suas moedas, que possibilitam o crescimento econômico. É importante perceber que esses empréstimos não ocorrem para projetos específicos.

Os EUA também financiaram a reconstrução da economia japonesa, visando criar um polo capitalista desenvolvido na Ásia e, desse modo, também impedir o avanço do socialismo no continente. A ascensão da economia japonesa foi acompanhada de uma expansão econômica e financeira do país em direção aos seus vizinhos da Ásia, originando uma região de forte dinamismo econômico.

INDUSTRIALIZAÇÃO: PLATAFORMA DE EXPORTAÇÃO

Processo de industrialização diferente daquele realizado na América Latina (Substituição de Importações), em que os países tiveram um foco maior no desenvolvimento de indústrias de manufaturados visando a exportação desses produtos para países desenvolvidos. Esses países voltaram suas atividades para a exportação de bens não duráveis (exemplo: roupas e eletrônicos), que tornaram suas indústrias competitivas e de alta qualidade.

Isso ocorreu na década de 1960 em países como Hong Kong, Coreia do Sul, Cingapura e Taiwan (“Tigres Asiáticos”) e no final da década de 1970 em países como Tailândia, Indonésia, Filipinas, Malásia e Vietnã (“Novos Tigres Asiáticos”) e até mesmo a China.

Portanto, com o fim da Guerra Fria, o que se viu foi a emergência de um mundo capitalista liderado pelos Estados Unidos, mas com a presença de outros países muito fortes do ponto de vista econômico – com destaque para o Japão e a Alemanha. Daí, podemos apontar que, do ponto de vista da economia e do comércio internacional, o mundo se tornou multipolar. Contudo, do ponto de vista político e militar, a verdade é que com a queda da União Soviética, não havia mais nenhum país capaz de rivalizar com o enorme poder estadunidense. Portanto, de acordo com esse aspecto, o mundo passou a ser unipolar.

ACELERAÇÃO ECONÔMICA E TECNOLÓGICA

A tecnologia desenvolvida durante a Segunda Guerra Mundial estabeleceu um novo padrão de desenvolvimento tecnológico, que levou à modernização e a posterior automatização da indústria. Com a robotização industrial, aceleraram-se os processos de fabricação, o que permitiu grande aumento e diversificação da produção.

O acelerado desenvolvimento tecnológico tornou o espaço cada vez mais artificializado, principalmente naqueles países onde o atrelamento da ciência à técnica era maior. A retração do meio natural e a expansão do meio técnico-científico mostraram-se como uma faceta do processo em curso, na medida que tal expansão foi assumida como modelo de desenvolvimento em praticamente todos os países.

Favorecidas pelo desenvolvimento tecnológico, particularmente a automatização da indústria, a informatização dos escritórios e a rapidez nos transportes e comunicações, as relações econômicas também se aceleraram, de modo que o capitalismo ingressou numa fase de grande desenvolvimento. A competição por mercados consumidores, por sua vez, estimulou ainda mais o avanço da tecnologia e o aumento da produção industrial, principalmente nos Estados Unidos, no Japão, nos países da União Europeia e nos novos países industrializados (NPI’s) originários do “mundo subdesenvolvido” da Ásia.

A INTERNACIONALIZAÇÃO DO CAPITAL

Desde que surgiu, e devido à sua essência — produzir para o mercado, objetivando o lucro e, consequentemente, a acumulação da riqueza — o capitalismo sempre tendeu à internacionalização, ou seja, à incorporação do maior número possível de povos ou nações ao espaço sob o seu domínio. No princípio, a Divisão Internacional do Trabalho funcionava através do chamado pacto colonial, segundo o qual a atividade industrial era privilégio das metrópoles que vendiam seus produtos às colônias.

Agora, para escapar dos encargos sociais e do pagamento dos salários conquistados pelos trabalhadores de seus países, as grandes empresas industriais dos países desenvolvidos optaram pela estratégia de, em vez de apenas continuarem exportando seus produtos, também os produzir nos países subdesenvolvidos, até então apenas importadores de bens industrializados que consumiam. Dessa maneira, barateando custos graças:

• Mão de obra bem mais barata.
• Menos encargos sociais.
• Incentivos fiscais.

Assim as grandes indústrias mantiveram ou até aumentaram seus lucros e puderam praticar altas taxas de investimento e acumulação.

Grandes empresas de países desenvolvidos, também conhecidas como corporações, instalaram filiais em países subdesenvolvidos, onde passaram a produzir um elenco cada vez maior de produtos. Por produzirem seus diferentes produtos em muitos países, tais empresas ficaram conhecidas como multinacionais ou transnacionais. Ou seja, a Nova Ordem Mundial aprofundou a complexificação da Divisão Internacional do Trabalho, já que muitos países deixam de ser apenas fornecedores de alimentos e matérias-primas para o mercado internacional e se tornam produtores e até exportadores de produtos industrializados – como é o caso do Brasil.

OS POLOS DE PODER NA ECONOMIA GLOBALIZADA

Na nova ordem mundial, a bipolaridade representada por Estados Unidos e União Soviética foi substituída pela multipolaridade. Os polos de poder econômico de maior destaque na atualidade são: Estados Unidos, União Europeia, Japão, China e determinados países emergentes.

Apesar de a economia globalizada ser definida como multipolar, os principais dados referentes ao desempenho econômico internacional demonstram que existem três grandes polos que lideram a economia do mundo: o bloco americano, o asiático e o europeu, que controlam mais de 80% dos investimentos mundiais.

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