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Como Usar Conceitos De Filosofia e Sociologia na Minha Redação?

Como Usar Conceitos De Filosofia e Sociologia na Minha Redação?

Aprenda sobre os principais Conceitos de Filosofia e Sociologia na Redação do ENEM.

CONVERSA INICIAL

Neste módulo, apresentamos quatro temas socias, atuais e relevantes ao perfil de cobrança do ENEM. Para melhorar sua compreensão acerca do que se discute, contextualizamos esses temas a partir de publicações relevantes e comentamos algumas das possíveis abordagens que você pode realizar na construção do seu texto. Os temas são: A persistência do uso de trabalho escravo na sociedade brasileira; O aumento do número de casos de suicídio entre jovens no Brasil; O desafio da preservação da cultura indígena no Brasil; Os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho brasileiro.

TEMA: A PERSISTÊNCIA DO USO DE TRABALHO ESCRAVO – OU ANÁLOGO AO ESCRAVO – NA SOCIEDADE BRASILEIRA
CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA

Desde que o governo brasileiro reconheceu a existência dessa prática ilegal (trabalho escravo) e passou a combatê-la, em 1995, os grupos de fiscalização da Inspeção do Trabalho resgataram 53.607 trabalhadores nessa condição em todo o país. Nesse período, foram pagos mais de R$ 100 milhões em verbas salariais e rescisórias durante as operações.

O dia 28 de janeiro é lembrado como Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo e Dia Nacional do Auditor-Fiscal do Trabalho, em homenagem aos auditores-fiscais do trabalho Eratóstenes de Almeida, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, e ao motorista Ailton Pereira de Oliveira. Eles foram assassinados enquanto investigavam denúncias de trabalho escravo em uma propriedade em Unaí (MG).

De acordo com o artigo 149 do Código Penal brasileiro, caracterizam o trabalho análogo ao de escravo condições degradantes de trabalho (incompatíveis com a dignidade humana, caracterizadas pela violação de direitos fundamentais coloquem em risco a saúde e a vida do trabalhador), jornada exaustiva (em que o trabalhador é submetido a esforço excessivo ou sobrecarga de trabalho que acarreta a danos à sua saúde ou risco de vida), trabalho forçado (manter a pessoa no serviço através de fraudes, isolamento geográfico, ameaças e violências físicas e psicológicas) e servidão por dívida (fazer o trabalhador contrair ilegalmente um débito e prendê-lo a ele). Os elementos podem vir juntos ou isoladamente.

Adaptado de: https://oglobo.globo.com/economia/em-2018-fiscais-identificaram-17-mil-casos-de-trabalho-escravo-no-brasil-234

POSSÍVEIS REFLEXÕES QUE PODEM CONTRIBUIR PARA SUA ABORDAGEM

Um conhecimento relevante e que pode auxiliá-lo na construção do seu texto são as reflexões acerca de Émile Durkheim e a Divisão Social do Trabalho. Para Durkheim (1858-1917), os princípios da divisão do trabalho são mais morais do que econômicos. Desse modo, representaria os fatores que unem os indivíduos numa sociedade, uma vez que geram um sentimento de solidariedade entre aqueles que realizam as mesmas funções.

Outra reflexão importante é discutir a naturalização social do processo de escravidão a partir de demandas históricas, tais como a escravidão presente no Brasil durante todo período colonial e imperial.

Uma outra possível abordagem relaciona-se às chamadas correntes marxistas e à exploração do trabalhador, com um viés voltado para lucratividade e diminuição dos custos por parte de latifundiários e proprietários. Sob essa ótica, a sociedade moderna está marcada por interesses antagônicos, isso é, inconciliáveis, entre as classes que possuem e as que não possuem os meios de produção – ou seja, o que é necessário para trabalhar: as ferramentas, o espaço ou a matéria-prima. As classes despossuídas não têm outra fonte de subsistência senão a venda de sua própria força de trabalho, o que faz com que se tornem empregadas das classes que detêm os meios de produção. Desse modo, a existência de interesses antagônicos gera conflitos (greve, mobilizações por aumento de salários, por direitos trabalhistas) e tais conflitos seriam a questão central para compreender a própria história da humanidade.

TEMA: O AUMENTO DO NÚMERO DE CASOS DE SUICÍDIO ENTRE JOVENS NO BRASIL
CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA

Solidão, medo, depressão, bullying: o que leva uma pessoa a cometer suicídio? Definido pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) – rede voluntária de prevenção – como um gesto de autodestruição e realização da vontade de dar fim à vida, o suicídio entre jovens é uma questão que tem chamado, cada vez mais, a atenção de profissionais da área da saúde pelo mundo todo.

Segundo o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2016, a cada 40 segundos um indivíduo se mata no mundo e a cada 6 segundos uma pessoa atenta contra a própria vida. De acordo com a organização, o suicídio é considerado a segunda maior causa de morte entre jovens de 19 a 29 anos.

Fragmento disponível em: https://institutomongeralaegon.org/saude-e-bem-estar/saude-mental/suicidio-entre-jovens

POSSÍVEIS REFLEXÕES QUE PODEM CONTRIBUIR PARA SUA ABORDAGEM

A Sociologia permite ao candidato uma análise, por exemplo, sobre as demandas contemporâneas veiculadas ao processo de globalização, sobre a intensidade dos laços humanos, fenômenos que contribuem para processos como ansiedade e depressão.

Um conhecimento relevante e que pode auxiliá-lo na construção do seu texto são as reflexões acerca de Émile Durkheim e suas considerações sobre o suicídio como um fenômeno não apenas individual, mas social. Ao estudar o fenômeno na sociedade de sua época, Durkheim estabelece três tipologias de suicídio: o egoísta, o altruísta e o anômico.

O suicídio egoísta está relacionado a um ato que se reveste de individualismo extremado. É o tipo que predomina nas sociedades modernas e é geralmente praticado pelos que não estão devidamente integrados à sociedade, geralmente isolados dos grupos sociais (família, amigos, comunidade, entre outros). O suicídio altruísta seria um ato em que o indivíduo está tomado pela obediência e força coercitiva do coletivo, seja ele um grupo social restrito ao qual pertence ou mesmo a toda a sociedade. Exemplo disso são os soldados japoneses que lutaram na Segunda Guerra Mundial, conhecidos como camicases. Por último, o suicídio anômico estaria mais propriamente relacionado a uma mudança abrupta na taxa desse tipo de morte. Seria geralmente marcado por uma vertiginosa ascensão do número de suicídios que ocorrem em períodos de crises sociais – como o desemprego, perda de poder aquisitivo, entre outros – ou processos de transformações sociais como a modernização.

TEMA: O DESAFIO DA PRESERVAÇÃO DA CULTURA INDÍGENA NO BRASIL
CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA

As cerca de 170 línguas indígenas faladas no país constituem hoje importante objeto de pesquisa na área da linguística. Trata-se de uma luta contra o tempo. Diante da estimativa de que esses idiomas possam desaparecer em 50 ou 100 anos, linguistas dedicam-se não apenas a registrá-los, mas também a trabalhar por sua sobrevivência. De livros escolares a dicionários, de sites em idiomas indígenas a corpus linguísticos digitais, uma geração de pesquisadores que iniciou seus estudos junto às comunidades na década de 1990 propõe contribuições que atendem, ao mesmo tempo, exigências científicas da área e propósitos sociais.

“Nós perdemos uma grande diversidade e vamos perder mais ainda”, afirma Luciana Storto, professora do Departamento de Linguística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), lembrando estimativa de que, antes da colonização, eram mais de mil os idiomas nativos falados no país. Ainda assim, o Brasil é reconhecido mundialmente pela multiplicidade de suas línguas: são 37 famílias ou subfamílias linguísticas (macro-jê e tupi são os maiores agrupamentos), além de outras oito línguas isoladas – ou seja, não relacionadas a nenhuma outra.

A população indígena no país tem crescido, chegando atualmente a 896.917 indivíduos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas há cada vez menos falantes dessas línguas – são hoje 434.664 as pessoas aptas a utilizá-las. Embora muitos povos não vivam em terras indígenas, a maior parte desses falantes se concentra em áreas demarcadas, que ocupam 13% do território do país e favorecem a preservação da língua e da cultura dessas etnias. No livro Línguas indígenas: Tradição, universais e diversidade, Storto explica que, enquanto o atendimento à saúde e à alimentação tem melhorado entre os povos indígenas, o “preconceito histórico” faz com que muitos abandonem suas línguas, acreditando ser esse o caminho mais adequado para obtenção de fluência na língua portuguesa.

Cultura indígena, falar sobre a necessidade e funcionalidade da demarcação de terras, tratando da preservação ambiental e cultural.

Adaptado de: https://revistapesquisa.fapesp.br/2018/11/19/
pela-sobrevivencia-das-linguas-indigenas/

POSSÍVEIS REFLEXÕES QUE PODEM CONTRIBUIR PARA SUA ABORDAGEM

Um dos problemas relacionados a esse tema é a hierarquização de valores em relação a costumes que se diferenciam dos seus. Nesse sentido, a Sociologia nos auxilia na reflexão, a partir de considerações acerca do relativismo.

A perspectiva do relativismo cultural, na verdade, surge como uma construção da Antropologia, proposta por pensadores como Franz Boas, que também é empregada na Sociologia. Como conceito científico, o relativismo cultural pressupõe que o pesquisador ou estudioso tenha uma visão neutra diante do conjunto de hábitos, crenças e comportamentos que a princípio lhe pareceriam estranhos e resultariam em choque cultural, ou seja, ver além do julgamento relacionado à sua própria vida, às suas próprias experiências.

Sob esse aspecto, relativizar implica deixar o próprio julgamento de lado, assim como se afastar da sua própria cultura a fim de entender melhor o outro e negar o chamado “etnocentrismo”.

TEMA: OS IMPACTOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO MERCADO DE TRABALHO BRASILEIRO
CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA

CEO e presidente da IBM, Ginni Rometty, tem uma importante mensagem para profissionais de todo o mundo: a transformação digital deve ser um dos maiores desafios da atual geração. Segundo estimativa da executiva, 100% dos empregos sofrerão mudanças por causa da inteligência artificial (IA) já na próxima década.

E Ginni não está exagerando. O Fórum Econômico Mundial estima que a quarta revolução industrial deve movimentar US$ 100 trilhões nos próximos 10 anos em todos os setores, indústrias e regiões do mundo.

“Enfrentamos uma transformação iminente e profunda da força de trabalho nos próximos cinco a dez anos, à medida que o analytics e a inteligência artificial mudam os cargos de empresas de todos os setores”, disse Rometty à CNBC.

O alerta de Ginni se dá em um momento em que as habilidades em inteligência artificial e os estudos sobre futuro do trabalho são demandados com urgência. O setor de tecnologia responde por 10% do PIB dos EUA e é o que cresce mais rápido no país. No entanto, não há profissionais qualificados para preencher os 500 mil empregos disponíveis na área, segundo pesquisa da Future of Work da Consumer Technology Association.

Brasil na retaguarda

Apesar de não viver a mesma realidade dos EUA, o Brasil está em situação semelhante, afirma Dora Kaufman, pesquisadora de inteligência artificial da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

“Mais do que emprego, a inteligência artificial vai mudar a sociedade e as relações humanas. Funções mecânicas e repetitivas serão eliminadas e novas funções surgirão. O problema é que não serão criadas vagas suficientes para substituir as que desaparecerão”.

Fragmento disponível em: https://epocanegocios.globo.com/Tecnologia/noticia/2019/04/inteligencia-artificial-vai-mudar-100-dos-empregos-na-proxima-decada-diz-ceo-da

POSSÍVEIS REFLEXÕES QUE PODEM CONTRIBUIR PARA SUA ABORDAGEM

Uma possibilidade relevante de abordagem seria posicionarse sobre o aumento do desemprego estrutural, com o sumiço de funções antes existentes. Em oposição ao desemprego ficcional (ou desemprego natural), que ocorre na transição de uma vaga de trabalho para a outra, o desemprego estrutural consiste na real falta de vagas que supra as necessidades da população.

Muitos autores defendem que o desemprego estrutural e a precarização do trabalho se traduzem politicamente na deterioração das possibilidades de construção da cidadania. Com o advento da inteligência artificial, talvez não seja o caso da precarização do trabalho existente, mas de uma mudança de perspectiva que precisa ser percebida pela educação e pelas demais políticas públicas.

Sobre esse tema, é possível também mencionar o aumento da alienação do trabalhador, exercendo funções cada vez menos intelectuais em suas atividades. A alienação do trabalho representa um conceito fundamental do marxismo. Refere-se ao modelo de trabalho cuja força de produção, energia e tempo do trabalhador não pertencem a si mesmo, mas ao seu empregador (pertencente a uma classe dominante).

Desse modo, o trabalhador alienado do seu trabalho não é capaz de produzir nada sem se submeter-se à classe dominante, uma vez que não detém os meios de produção e não tem o conhecimento necessário: geralmente é especializado em uma única etapa do processo de produção.

Outra opção é mencionar o aumento do modelo produtivo volvista no interior das fábricas, marcadas pela automação.

O chamado Volvismo atua no mercado a partir de uma estratégia que combina requisitos e demandas do mercado, com aspectos tecnológicos e uma nova dinâmica da organização do trabalho, que considera condições instáveis da reestruturação industrial.

Dois fatores são fundamentais: a internacionalização da produção e a democratização da vida no trabalho. Trata-se de um modelo construído a partir da reflexão acerca da presença humana. O baixo nível de ruído, a ergonomia em todos os detalhes e a qualidade do ar figuram como alguns dos aspectos positivos desse modelo.

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