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MODALIZADORES E PALAVRAS DENOTATIVAS

MODALIZADORES E PALAVRAS DENOTATIVAS

A modalização é um conceito advindo da ciência linguística para definir os mecanismos discursivos que apresentam a função de manifestar o posicionamento do enunciador em relação àquilo que é dito.

O QUE É MODALIZAÇÃO?

Por não ser uma categoria estrutural da gramática, é bastante complexo realizar uma classificação das modalidades na língua, cabendo seu entendimento à própria área da compreensão textual e mesmo da análise do discurso.

De forma geral, um modalizador é um elemento gramatical ou lexical – palavra ou expressão – por meio do qual o enunciador revela alguma atitude relativa ao conteúdo daquilo que ele mesmo enuncia. Assim, mesmo de forma encoberta, o enunciador deixa seus posicionamentos subentendidos ou sugeridos, de forma a influenciar o coenunciador a compreender o enunciado sob um determinado aspecto que lhe é dissimuladamente proposto.

Em todo ato de comunicação, podem-se fazer presentes mediações diversas, oriundas das intenções com as quais um discurso é imaginado, produzido e realizado. Seja evidenciar uma certeza, uma dúvida, a obrigatoriedade ou a proibição, uma possibilidade, algum sentimento, entre outros. Para a linguística a própria língua guarda características argumentativas, na medida em que, por meio dela, interagindo escrita ou oralmente, os falantes reproduzem entendimentos, atitudes e argumentos.

Os elementos modalizadores, portanto, são utilizados como um indicativo da própria existência de um discurso argumentativo, ao transparecer o ponto de vista apresentado pelo enunciador da maneira como ele buscou a elaboração de seu discurso.

Entre as inúmeras possibilidades intencionais que podem ser expressas na comunicação, destaca-se que, no geral, os recursos gramaticais utilizados para expressá-los não são tão extensos quanto as alternativas de significação. A função modalizadora manifesta-se principalmente por meio de advérbios – quando indicativos acerca do acolhimento do enunciado em sua totalidade ou parcialidade por parte do enunciador; do uso de modos verbais, de forma a indicar se o enunciado expressa um acontecimento ou uma vontade; do emprego de verbos auxiliares que acrescentam noções circunstanciais que podem apontar necessidades ou possibilidades; do uso de estruturas subordinativas, como orações principais em que seus verbos constitutivos possam expressar modalidade; ou do uso de adjetivos, cuja escolha pode revelar opinião ou posicionamento.

Pode-se afirmar, sem margem para dúvidas, que não existe possibilidade de comunicação sem que haja modalização (que, inclusive pode manifestar-se pela entoação da voz na fala) explícita ou implícita, uma vez que sempre haverá intencionalidade nos discursos que são produzidos. Assim, sem esgotar as possibilidades significativas, pode-se enumerar algumas possibilidades modalizadoras, como a seguir:

Asseverativos

Aqueles que conferem certeza a um discurso, podendo ser afirmativos (evidentemente, certamente, claro, sem dúvida, lógico); ou negativos como a polarização de termos pelo uso do “não” ou expressões como “de jeito nenhum”, “de forma alguma”, entre outros.

Dubtáveis

Aqueles que colocam um discurso em dúvida, estabelecem que um enunciado está sujeito à desconfiança, à incerteza ou à imprecisão.

Exemplos: talvez, possivelmente, é provável etc.

Delimitadores

Aqueles que estabelecem uma restrição ou um limite ao entendimento do alcance de conceitos ou do discurso.

Exemplos: quase, tipo de, espécie de, linguisticamente, matematicamente, geograficamente etc.

Deontológicos

Aqueles que indicam obrigatoriedades, proibições e permissões.

Exemplos: necessariamente, obrigatoriamente, não deve fazer, deve apresentar etc.

Afetivos

Apresentam as emoções do enunciador diante do conteúdo do discurso, bem como posicionamentos de princípio ou predileções. Esses modalizadores podem ser subjetivos, quando marcam a reação do enunciador diante do que é exposto (infelizmente, curiosamente, espantosamente etc.) ou intersubjetivos, quando incluem na sensação emotiva a relação com o coenunciador, seja pela aceitação, pela colaboração ou pela rejeição (sinceramente, francamente, lamentavelmente etc.)

ADVÉRBIO

Advérbio é a palavra de natureza nominal que serve, fundamentalmente, para modificar um verbo, ou ainda, dar ênfase ao sentido de um adjetivo, de um outro advérbio e, até mesmo, de toda uma frase, adicionando ao significado desses termos uma circunstância de tempo, modo, intensidade, afirmação, negação e dúvida.

Quando um advérbio modifica um adjetivo ou outro advérbio obrigatoriamente denota a circunstância de intensidade. Quando empregados nas interrogações diretas e indiretas, alguns advérbios de causa, de lugar, de modo e de tempo são chamados de advérbios interrogativos.

Por que não veio à aula?
Não sei por que me tratas assim.
Onde está estacionado o carro?
Não entendi como ele fez aquilo.
Queria saber quando investiremos na educação.
Quanto custa o pão doce?

LOCUÇÃO ADVERBIAL

Expressão com valor adverbial composta por preposição + substantivo que tem possibilidade de demonstrar as mais variadas circunstâncias adverbiais.

Exemplo: Às vezes, às cegas, às pressas, de propósito, de repente, por atacado etc.

EXPRESSÃO ADVERBIAL

São expressões com valor adverbial que possuem maior liberdade em sua formação, isto é, fogem da estrutura de preposição + substantivo. Estas expressões normalmente denotam circunstâncias adverbiais não relacionadas nos advérbios simples ou locuções.

Exemplo: morrer de fome, sair com os amigos, estudar para a prova, escrever a lápis etc.

GRAU DOS ADVÉRBIOS

Apesar de invariáveis, alguns advérbios – especialmente os de modo – admitem algum tipo de gradação. É sempre importante lembrar que o grau não consiste em uma flexão morforlógica propriamente dita, mas somente um processo de sufixação. Dessa forma, não há por que falar em exceção à invariabilidade dos advérbios.

Grau comparativo

a) De superioridade – realiza-se pela anteposição de mais e posposição de (do) que:

O carro ia mais depressa do que o ônibus.

Acordei mais cedo que meu pai.

b) de igualdade – pela anteposição de tão e posposição de como ou quanto:

O carro ia tão depressa como o ônibus.

Acordei tão cedo quanto meu pai.

c) de inferioridade – antepondo menos e pospondo (do) que:

O carro ia menos depressa do que o ônibus.

Acordei menos cedo que meu pai.

OBSERVAÇÃO

Os advérbios bem e mal admitem forma irregular quando no grau comparativo de superioridade: melhor e pior.

Grau superlativo

a) analítico – pelo auxílio de um advérbio indicador de intensidade:

O carro ia muito depressa.

Acordei muito cedo.

b) sintético – pelo acréscimo de sufixo ao advérbio:

Acordei cedíssimo.

OBSERVAÇÃO

É comum no uso linguístico coloquial que o advérbio receba um sufixo diminutivo. Essa forma, além da indicação de afetividade, corresponde ao grau superlativo.

Acordei cedinho.
(muito cedo/cedíssimo)

EMPREGO DOS ADVÉRBIOS

Alguns usos dos advérbios podem causar dúvida ao usuário comum da língua. Por isso é importante ressaltar algumas de suas particularidades.

a) Quando se coordenam diversos advérbios terminados em -mente, usa-se, geralmente, o sufixo apenas no último:

Os detetives entraram no prédio calma, tranquila e silenciosamente.

b) As formas melhor e pior devem ser evitadas em construções diante de particípio passado, preferindo-se as formas mais bem e mais mal:

Eu me sentia mais bem preparado que meus concorrentes.

A obra ficou muito mal acabada.

PREPOSIÇÃO

Por definição, preposição é a palavra invariável que relaciona dois termos da oração, de forma que o sentido do primeiro seja explicado ou completado pelo segundo. É uma palavra gramatical por excelência que estabelece uma relação subordinada entre duas palavras, daí sua inclusão entre os conectivos.

Introduz complementos verbais, complementos nominais e adjuntos, tendo papel importante na formação de locuções adjetivas e adverbiais. Assim, não exerce nenhuma função específica do ponto de vista sintático, sendo apenas o índice da função gramatical do termo que introduz.

Destaca-se, contudo, pelo papel transpositor que desempenha, isto é, colaborando com a formação de sintagmas que exerçam papel de uma classe distinta da origem do termo nuclear. Veja o exemplo abaixo:

cadeira de madeira

É a preposição de que permite que o substantivo madeira

indique uma característica, explicitando o material de que é feita a cadeira, funcionando assim como um adjunto adnominal, função típica de um adjetivo. Nesse tipo de transposição, dizemos que foi formada uma locução adjetiva, isto é, uma palavra de outra classe que, por meio da preposição, passou ao valor adjetivo. Estruturalmente, o termo anterior leva o nome de antecedente e o posterior de consequente.

Em outros casos a preposição surge por servidão gramatical, isto é, sem que guarde correspondência com qualquer categoria gramatical, sendo exigida pelo termo anterior, como nos casos de regência.

Entretanto, engana-se aquele que imagina que a preposição não possua valor semântico algum. Cada uma das preposições guarda um significado que pode desdobrar-se em outros devido ao uso contextual. Alguns desses sentidos podemos ver abaixo:

Destino – Irei para Paris na semana que vem.

Modo – Voltou para casa aos gritos.

Lugar – Ficarei em um hotel afastado do centro.

Assunto – Fiz uma pesquisa sobre usos da língua.

Tempo – Corra! A corrida vai começar em dois minutos.

Causa – Ele morreu de fome.

Finalidade – Vou ao cartório para autenticar alguns documentos.

Instrumento – Fez toda a prova a lápis.

Posse – O professor exigiu ver o caderno da aluna.

Autoria – O livro de Lima Barreto é excelente.

Companhia – Sairei com ela no final de semana.

Matéria – Comprei um estojo de plástico reciclado.

Meio – Nós vamos fazer um passeio de barco.

Origem – Sou de Vila Isabel, e você?

Conteúdo – Ele bebeu mais de três copos de refrigerante de uma só vez!

Oposição – Essas propostas vão contra aquilo que defendo.

Preço – Comprei um bom livro por dez reais na Bienal.

As preposições apresentam uma classificação baseada em sua funcionalidade gramatical. Há aquelas que são essenciais, por só apresentarem o papel gramatical de conectivo; e outras que são acidentais, palavras de outras classes que, em determinados contextos, podem funcionar como se preposições fossem.

a) Essenciais

Funcionam somente como preposições. São elas:

b) Acidentais

São palavras de outras classes gramaticais que podem funcionar como preposições. Entre vários outros exemplos,
podemos citar:

LOCUÇÕES PREPOSITIVAS

São duas ou mais palavras que desempenham o papel de preposição. Nestas locuções, o último elemento é sempre uma preposição.

Exemplo: Ao lado de, antes de, além de, acima de, abaixo de, com respeito a, junto a, a par de, apesar de, quanto a etc.

Contrações e combinações

Há contração quando uma preposição se liga a outra palavra, normalmente artigo ou pronome, sofrendo redução de sua forma, isto é, no processo de união, a preposição sofre alteração em sua estrutura.

Exemplo: de + ele = dele; de + ela = dela; per + o = pelo; per + a = pela; em + a = na; em + os = nos, etc.

Quando ligar-se a outras palavras e a preposição mantiver sua estrutura original, haverá combinação.

Exemplo: a + onde = aonde, a + o = ao, etc.

Por fim, chama-se crase a união da preposição a com o artigo feminino homônimo a, resultando em uma fusão perfeita, indicada ortograficamente pelo acento grave (`). As regras sobre a colocação do acento grave serão vista em módulo próprio.

INTERJEIÇÃO

Interjeição é uma palavra invariável que expressa emoções súbitas, estados sentimentais ou impressões subjetivas. Normalmente funcionam de forma independente nos enunciados e, por vezes, constituem-se ela mesma como um enunciado completo. De forma geral, servem como uma maneira auxiliar de expressividade na comunicação com o interlocutor, ressaltando o estado de espírito de um determinado enunciado. Via de regra sua utilização escrita é acompanhada por um ponto de exclamação.

Como são vocábulos não racionais, isto é, não guardam relação lógica com a realidade, servem tão somente à representação subjetiva das sensações, sentimentos ou estados de espírito. Dessa forma, apresentam uma variação bastante grande, pois sofrem muitas influências culturais da região, da faixa etária e mesmo dos grupos familiares em que são usadas.

Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha (Tom Jobim e Vinícius de Morais)

É também comum que existam locuções interjeitivas, o que quer dizer um conjunto de palavras formando uma expressão que funcionam como interjeição.

Até amanhã se Deus quiser
Se não chover eu volto pra te ver
Oh, mulher! (Noel Rosa)

Valha-me Deus! Se ela pára o samba
E vai-se embora
Eu quero falar com ela (Caetano Veloso)

Apesar da pouca utilidade de uma classificação das interjeições, pode-se listar as mais comuns com seus significados mais usuais, sem se pretender esgotar as possibilidades:

Advertência: cuidado!, atenção!

Admiração: ah!, Oh!, puxa!, nossa!, uau!

Agradecimento: obrigado!, obrigada!, agradecido!, grato!

Alegria: ah!, oba!, viva!, eba!, uhu!, iupi!

Alívio: ufa!, ah!

Apelo: alô!, hei!, olá!, psiu!, socorro!

Aplauso: bis!, isso!, bravo!, viva!, apoiado!, hurra!

Aversão: droga!

Cansaço: ufa!.

Chamamento: olá!, alô!, ô!, oi!, psiu!, psit!, ó!;

Congratulação: parabéns!, muito bem!

Desejo: oxalá!, tomara!

Desculpa: perdão!, desculpe!

Despedida: adeus!, até logo!, tchau!

Dor: ai!, ui!

Estímulo: eia!, avante!, firme!, vamos!, ânimo!, força!

Medo: oh!, cruzes!, credo!, ui!

Silêncio: psiu!, silêncio!, calado!, quieto!

Surpresa: meu deus!, nossa!, puxa!, opa!

PALAVRA DENOTATIVAS

A gramática usualmente apresenta dez classes gramaticais nas quais insere as palavras por conta de sua flexão, uso e relação com outras palavras. Entretanto, alguns vocábulos não se enquadram em nenhuma das dez categorias, ainda que sejam utilizadas normalmente em nosso dia a dia.

São termos semelhantes a advérbios, mas que, por não exprimirem exatamente uma circunstância, classificam-se à parte, sem uma categoria particular. O termo “denotativo” refere-se a uma significação plena, literal; denotar significa caracterizar ou demonstrar. Assim, uma palavra denotativa indica um significado preciso, sem que esteja funcionando como uma das dez classes gramaticais.

Esses significados são úteis e auxiliares na construção da textualidade, já que funcionam como modalizadores do discurso ou mesmo como mecanismos de coesão. Na verdade, chega a ser mais correto nomear esses termos como palavras e expressões denotativas, já que muitas vezes se constituem de vários vocábulos combinados, em lugar de apenas um vocábulo.

Entre as diversas significações que assumem dentro dos mais variados contextos, podem denotar, entre outras:

Inclusão
até, inclusive, mesmo, também, até mesmo, além disso

Exclusão
apenas, salvo, senão, nem sequer, só, somente.

Afastamento
embora.

Designação
eis.

Realce
cá, lá, é que, só.

Retificação
aliás, ou antes, isto é, ou melhor.

Situação
afinal, então, aí.

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