Estude com quem mais aprova. escolha um plano e faça parte dos milhares de alunos que são aprovados todos os anos com o Proenem
Pesquisar

Estude para o Enem totalmente grátis

Pré-socráticos II

Pré-socráticos II

Aprenda sobre o período Pré-Socráticos. 

HERÁCLITO DE ÉFESO X PARMÊNIDES DE ELEIA

Entre todos citados, estes merecem destaque, por terem tido maior relevância na Filosofia posterior, ambos vão servir de influência para autores como Platão e Aristóteles. Heráclito acreditava que a vida é um enorme fluxo, uma constante mudança e alteração, o filho de Éfeso acha que a unidade do mundo consiste na eterna mudança, o ser é múltiplo, variante e está em constante alteração. Parmênides discorda, observa um ser uno, imutável, a ideia essencial do ser é o que possibilita a real verdade presente na natureza.

HERÁCLITO DE ÉFESO

Heráclito (535 – 475 a.C.) era membro de uma família importante politicamente em Éfeso, mas recusou-se a disputar o poder. Desprezava a plebe. É considerado um dos mais eminentes pensadores pré-socráticos. Muitos fragmentos de seu livro, “Sobre a Natureza”, foram reproduzidos pelos doxógrafos. A partir desses fragmentos é possível ter uma noção mais ou menos precisa das ideias de Heráclito – ideias que foram extremamente influentes entre os pensadores que buscavam compreender um princípio universal para além da transitoriedade das coisas particulares.

A característica mais evidente dos escritos de Heráclito é a presença de um grande orgulho e de desprezo. Despreza muitos indivíduos considerados importantes pelos gregos, como Homero, Hesíodo e Pitágoras. Seu fragmento mais obscuro, “Deste logos sendo sempre os homens se tornam descompassados quer antes de ouvir quer tão logo tenham ouvido; pois, tornando-se todas as coisas segundo esse logos, a inexperientes se assemelham embora experimentando-se em palavras e ações tais quais eu discorro segundo a natureza distinguindo cada coisa e explicando como se comporta. Aos outros homens escapa quanto fazem despertos, tal como esquecem quanto fazem dormindo” é representativo desse desprezo. Nele, Heráclito afirma que:

1. O Logos (ou seja, a lei universal que rege todos os acontecimentos particulares e que é o fundamento da harmonia de todas as coisas) sempre existiu.

2. Os que estão prestes a “ouvir” ou que tenham ouvido o Logos ficam descompassados, isto é, deslocados entre os outros homens.

3. Isto deve-se ao fato de que os que ouvem o Logos e, consequentemente, passando a perceber todas as coisas a partir do Logos, parecem inexperientes em relação a tudo, porque tudo precisam reaprender; como diz Heráclito em outro fragmento, “o homem como uma criança ouve o divino, tal como a criança ao homem”.

4. Esse aprendizado significa a distinção correta e a explicação do comportamento de cada coisa.

5. Os outros homens, que não ouvem o Logos, vivem como se estivessem dormindo, não sendo capazes de perceber a verdadeira realidade – e, segundo Heráclito em outro fragmento, “não se deve agir nem falar como os que dormem”.

Heráclito pensava justamente nos homens que não ouvem o Logos ao dizer que “se a felicidade estivesse nos prazeres do corpo, diríamos felizes os bois, quando encontram ervilha para comer” e que “asnos prefeririam palha a ouro”. As ideias mais importantes de Heráclito são relativas ao problema geral abordado pelos pré-socráticos, que é o problema cosmológico. Contudo, Heráclito não faz como Tales e Anaxímenes, que buscavam conhecer o arché, o princípio fundamental da physis. Heráclito estava preocupado em tentar compreender o logos, isto é, a razão universal invisível que ordena todas as coisas. Em certo sentido, a posição de Heráclito tem semelhanças com a de um dos milesianos: a de Anaximandro, que considerava que o arché é um infinito, ilimitado e indeterminado que determina todas as coisas particulares na physis. As ideias de Heráclito também não estão muito distantes das da escola pitagórica, que buscava compreender a harmonia quantitativa oculta sob a aparente multiplicidade qualitativa das coisas.

Heráclito formula a doutrina da unidade do ser diante da pluralidade e mutabilidade das coisas particulares e transitórias. Essa ideia é exemplificada pelo fato de que os opostos têm sempre uma propriedade em comum que os unifica, ou seja, pertencem ao mesmo domínio do ser. Isso significa também que a realidade única é a junção de todas as múltiplas percepções, e que a totalidade é produto de todas as coisas individuais.

Daí deriva-se outra tese importante de Heráclito: a de que todos os seres são dinâmicos, não há seres que permaneçam idênticos a si mesmos. Isso significa que mesmo o logos fundamental, a despeito de ser a condição oculta da harmonia do cosmos, é também eterna mudança. É neste sentido que Heráclito afirma que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio: o rio muda a cada instante, não sendo idêntico a si mesmo, e, portanto, é um rio diferente a cada momento; e nós somos do mesmo modo.

Em suma, a posição de Heráclito é que poucos homens tentam compreender o logos, que é a unidade racional universal que ordena, harmoniza e permite explicar todas as coisas particulares, que são, por sua vez, interminável mudança e confronto de opostos.

ESCOLA ELEATA

Assim como a Escola de Éfeso, a Escola Eleata (também conhecida como a Escola Italiana, porque Eleia fica num lugar que hoje é parte da Itália) teve muita influência no pensamento posterior. Os três mais importantes filósofos de Eleia foram Xenófanes (570 – 470 a.C.), Parmênides (510 – 440 a.C.) e Zenão (490 – 430 a.C.); os três abordaram o mesmo problema e deram respostas aproximadas. O problema abordado foi a questão da permanência e da identidade diante da mudança dos seres, ou a questão da unidade e da universalidade do Ser diante da multiplicidade dos seres particulares.

Este problema foi também abordado por Heráclito. A resposta de Heráclito foi ligeiramente diferente da apresentada pelos eleatas, embora a tradição da história da filosofia muitas vezes tenha considerado as teses de Heráclito não apenas um pouco distantes, mas opostas às da Escola de Eleia. A resposta ao problema a respeito da natureza da realidade – se a realidade é una ou múltipla, se é estável ou dinâmica – foi dada, do mesmo modo que na filosofia de Heráclito, por meio da proposta de separação entre a natureza visível múltipla e variável e a realidade racional.

A grande novidade dos eleatas, contudo, é a atribuição do Um que abarca toda a multiplicidade dos seres ao Absoluto imutável. Para Heráclito, a realidade do Logos não era o Absoluto imutável; era também mudança. O primeiro dos eleatas, Xenófanes, não era natural de Eleia, mas de Colófão. Contudo, por ter ido viver em Eleia, onde foi professor de Parmênides e ficou conhecido, além de ter influenciado toda a tradição eleata, é tratado como se fosse o primeiro dos eleatas.

Xenófanes propôs que o único princípio e ser de todas as coisas é uma unidade, um inteiro; essa unidade não pode ser qualificada, pois qualquer qualificação excluiria seu contrário, o que tornaria a unidade incompleta, e, consequentemente, menor que um, menos que o inteiro. Então, a unidade não pode ser limitada nem ilimitada, nem móvel nem estática.

Uma ideia inovadora de Xenófanes é que foi o primeiro a identificar essa unidade do ser que tudo abarca a Deus, a um Deus único e uno. Esse Deus é necessário, e, consequentemente, não pode ter sido criado por nada, sendo incriado desde sempre; como Deus é o ser absoluto, não pode ter sido criado por outro ser, e muito menos por um não ser. Além disso, Deus não tem atributos humanos; os homens atribuem a Deus características suas (do mesmo modo que outro animal atribuiria a Deus características próprias de sua espécie). Portanto, Xenófanes defendeu, pela primeira vez, uma concepção filosófica de Deus: o ser necessário, uno e absoluto, sem começo nem fim no tempo ou no espaço, no qual todas as coisas particulares têm seu ser. Essa concepção foi e é extremamente importante na história do pensamento: é este o Deus sugerido por Aristóteles por meio da figura do primeiro motor; é este o Deus que as Cinco Vias de Tomás demonstram; é neste Deus que os filósofos teístas do século XVIII acreditam; é esta a concepção de Deus compatível inteiramente com a ciência contemporânea.

PARMÊNIDES DE ELEIA

O segundo dos filósofos eleatas, Parmênides, foi aluno de Xenófanes e de suas ideias partiu para desenvolver seu próprio pensamento. A primeira tese de Parmênides é que só uma coisa é, ou seja, só uma coisa tem a propriedade de ser, de existir: somente o Ser é. Isso significa que todas as coisas que são, que existem, compõem uma unidade, pois são no Ser. Contudo, obviamente há uma multiplicidade de coisas que são; essa multiplicidade é evidente pelos próprios fenômenos, ou seja, pelos próprios conhecimentos advindos dos sentidos. Parmênides concilia essa dupla realidade propondo que existe uma realidade formal única, o Ser; e que existe uma realidade fenomênica múltipla, composta por todas as coisas que são, ou seja, os seres.

Para Parmênides, o Ser é equivalente à concepção de Deus de Xenófanes, e é o único Ser verdadeiro; todas as outras coisas são enquanto coisas nas quais subsiste o Ser imóvel e uno. Isso significa que o movimento e a multiplicidade são o que não é o Ser nas coisas; ora, o não ser não é, o não ser não existe; consequentemente, a aparência de multiplicidade e movimento que temos por meio dos sentidos não é parte do Ser, e não existe realmente.

Percebe-se aqui que Parmênides tem uma posição surpreendentemente próxima à de Heráclito, que afirma que a realidade é o logos e que as pessoas geralmente não conhecem o logos, mas permanecem no mundo da multiplicidade e da mudança, um mundo de sonhos e não de vigília. Entretanto, Parmênides tem, ao mesmo tempo, uma posição em parte diferente daquela de Heráclito. Enquanto Heráclito segue o caminho da conciliação dos opostos para chegar à unidade, propondo que da aparente dualidade se chega ao Uno, ao logos, Parmênides segue o caminho de propor a unidade do Ser imediatamente: o Ser não é divisível em opostos, o Ser simplesmente é. Este também é o sentido da discordância de Parmênides em relação aos pitagóricos: do mesmo modo que Heráclito, os pitagóricos afirmavam que da conciliação dos opostos se chega à unidade, ou seja: que a realidade é divisível, por ser número. Para os eleatas, contudo, a realidade simplesmente não é número, não é absolutamente divisível.

O terceiro grande filósofo eleata foi Zenão. Aluno de Parmênides, defendeu as ideias de seu mestre contra as dos pitagóricos. É conhecido pelos paradoxos com os quais nega a realidade do movimento. Os paradoxos de Zenão são argumentos com os quais demonstra que é impossível que a realidade seja descontínua, múltipla e divisível como queriam os Pitagóricos, e que, portanto, a realidade deveria ser una, contínua e indivisível, o que era a tese de sua Escola. Na doxografia abaixo, seus paradoxos são apresentados por Aristóteles.

Quer aquele empurrãozinho a mais para seu sucesso?

Baixe agora o Ebook PORQUE VOCÊ PODE, gratuitamente!

Precisando de ajuda?

Entre em contato agora

👋E aí, ProAluno! Em que posso te ajudar?
Central de Vendas Central do Aluno